Há quantas será que anda essa dívida? Porque ela, com certeza, deve existir... Afinal, este débito, que gente do bem paga por conta dos erros e da falta de segurança pública que o governo do Rio – de olhos vendados – deixa passar impune, é alto demais. Tão alto que já estamos pagando com nossos joãozinhos. Quantos meninos e meninas mais serão necessários para sanar a dívida? E por que esta dívida?
Não bastassem as toneladas de impostos que pagamos – que o monstro da corrupção devora sem pena – agora até nossas crianças são moedas de barganha. Sim, digo isso porque é pagando este preço, a morte delas, que o governo acorda momentaneamente para os problemas da cidade. É preciso uma tragédia de grande porto e comoção, como arrastar joõeszinhos por quilômetros afora, para o país colocar a questão da segurança novamente em pauta.
Mas não basta mais pôr em discussão este batido tema, já precisamos de muito mais ação, reação... Não apenas a indignação, não apenas sair às ruas em passeatas de paz e declarações de ternura com o caso na imprensa. O episódio do João entrou até mesmo na novela das oito! Marketing da tragédia alheia?
É, temos uma dívida... Não sabemos dizer quando adquirimos, mas podemos imaginar tal origem olhando da janela de casa: cada dia é mais difícil avistar montes onde barracos não estejam erguidos. Favelas do erro público, da má administração do tesouro urbano, das vidas que compõem a sociedade. Não se trata apenas de má distribuição de renda, mas também de muita falta de vontade dos governantes em corrigir esta desigualdade.
Já não sei se é tão bonito pensar em um futuro onde casais planejam ter filhos. Serão, na verdade, a safra de Joões do futuro, a moeda que pagaremos ainda por muito tempo pelos defeitos que a sociedade e seu governo não conseguem consertar. Todo João deveria mesmo subir no pé de feijão... Ficar lá no alto, pois com toda a certeza, perto dos problemas aqui de baixo, o gigante que lá reside é quase de estimação!
Paulo Sampaio
Não bastassem as toneladas de impostos que pagamos – que o monstro da corrupção devora sem pena – agora até nossas crianças são moedas de barganha. Sim, digo isso porque é pagando este preço, a morte delas, que o governo acorda momentaneamente para os problemas da cidade. É preciso uma tragédia de grande porto e comoção, como arrastar joõeszinhos por quilômetros afora, para o país colocar a questão da segurança novamente em pauta.
Mas não basta mais pôr em discussão este batido tema, já precisamos de muito mais ação, reação... Não apenas a indignação, não apenas sair às ruas em passeatas de paz e declarações de ternura com o caso na imprensa. O episódio do João entrou até mesmo na novela das oito! Marketing da tragédia alheia?
É, temos uma dívida... Não sabemos dizer quando adquirimos, mas podemos imaginar tal origem olhando da janela de casa: cada dia é mais difícil avistar montes onde barracos não estejam erguidos. Favelas do erro público, da má administração do tesouro urbano, das vidas que compõem a sociedade. Não se trata apenas de má distribuição de renda, mas também de muita falta de vontade dos governantes em corrigir esta desigualdade.
Já não sei se é tão bonito pensar em um futuro onde casais planejam ter filhos. Serão, na verdade, a safra de Joões do futuro, a moeda que pagaremos ainda por muito tempo pelos defeitos que a sociedade e seu governo não conseguem consertar. Todo João deveria mesmo subir no pé de feijão... Ficar lá no alto, pois com toda a certeza, perto dos problemas aqui de baixo, o gigante que lá reside é quase de estimação!
Paulo Sampaio